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Linhagem Shaolin

Transmitindo o Intransmissível

Genealogia do Buddha

A linhagem real dos Sakyas, pelo lado paterno do Buddha, é a seguinte: O Rei Jayasena de Kapilavatthu teve um filho chamado Sihahanu, que casou com a Princesa Kaccana. Sua filha, Yasodhara, casou-se com o Rei Anjana, num país encravado nos Himálayas. Sihahanu teve cinco filhos e duas filhas. Os filhos se chamavam Suddhodana, Dhotodana, Sukkhodana, Sakkodana e Amitodana. As filhas se chamavam Amita e Pamita. Suddhodana teve duas esposas, Mahamaya Devi e Pajapati Gotami, que eram irmãs. O filho de Mahamaya Devi foi o Príncipe Siddhattha, que mais tarde se torna o Buddha. Pajapati Gotami teve um filho e uma filha, chamados, respectivamente, Nanda e Sundarinanda. Sukkhodana teve dois filhos, chamados Mahanama e Anurudha. Ananda era o filho de Amitodana. Amita, irmã de Suddhodana, teve um filho chamado Thullatissa ou Tissa.

Pelo lado materno, a linhagem familiar é a seguinte: Devadaha de Kolyia teve um filho chamado Anjana Raja e uma filha chamada Kaccana. Anjana casou-se com Yasodhara, e eles tiveram dois filhos, Dandapani e Suppabuddha, e duas filhas, Mahamaya e Pajapati Gotami. Suppabuddha casou-se com a irmã de Suddhodana chamada Pamita. Eles tiveram uma filha e um filho, chamados, respectivamente, Yasodhara e Devadatta. O Príncipe Siddhattha casou-se com Yasodhara e teve um filho chamado Rahula.

 

A Linhagem dos Buddhas (Buddhavamsa)

  1. Tanhakaro
  2. Medhankaro
  3. Saranankaro
  4. Dipankaro
  5. Kondario
  6. Mangalo
  7. Sumano
  8. Revato
  9. Sobhito
  10. Anomadassi
  11. Padumo
  12. Narado
  13. Padmuttaro
  14. Sumedho
  15. Sujato
  16. Piyadasso
  17. Atimadassi
  18. Dhammadassi
  19. Siddattho
  20. Tisso
  21. Phusso
  22. Vessabhu
  23. Kakusandho
  24. Konagamano
  25. Kassapo
  26. Gotamo Muni (Siddhattha)

 

Shakyamuni deixou seu palácio em uma noite, quando tinha vinte e nove anos de idade, e raspou seu cabelo. Depois disso, passou seis anos praticando exercícios ascéticos. Subseqüentemente, ele se sentou sobre um assento indestrutível, tão imóvel que havia teias em suas sobrancelhas, um ninho de pássaro sobre sua cabeça e canos crescendo em seu assento. Assim ele se sentou durante seis anos. Em seu décimo-sexto ano, no oitavo dia do décimo-segundo mês, ele foi subitamente iluminado quando a estrela d’alva apareceu. Então ele falou as seguintes palavras, seu primeiro rugido de leão:

Eu e todos os seres sobre a terra, juntos, atingimos a iluminação ao mesmo tempo.

Depois disso ele passou quarenta e nove anos ajudando os outros ensinando, nunca permanecendo em reclusão. Com apenas um robe e uma tigela, não sentia falta de nada. Ensinou para mais de trezentas e sessentas assembléias e então finalmente transmitiu o tesouro do olho do Dharma a Mahakashyapa, e sua transmissão continuou até o presente. De fato, esta é a raiz da transmissão e prática do verdadeiro ensinamento [do Zen] na Índia, China e Japão.

 

Parte I – Transmissões na Índia

 

  1. De Shakyamuni para Maha-Kashyapa

Kashyapa nasceu em uma família brâmane. Em sânscrito, Kashyapa significa “Bebedor de Luz”. Quando nasceu, uma luz dourada preencheu a sala e então foi para a sua boca. Por isso ele foi chamado Kashyapa, Bebedor de Luz. Seu semblante era dourado e ele tinha trinta das trinta e duas marcas da grandeza. Kashyapa encontrou o Buddha em um santuário conhecido como o Santuário das Muitas Crianças. O Buddha disse, “Seja bem-vindo, monge”.Kashyapa já tinha raspado sua cabeça e colocado uma veste de trapos. Então o Buddha transmitiu a ele o tesouro do olho do Dharma. Kashyapa praticou austeridades e nunca perdeu qualquer tempo.

Vendo apenas a feia magreza de seu corpo e a pobreza de sua roupa, todos tinham dúvidas sobre Kashyapa. Por causa disso, toda vez que o Buddha ia dar um ensinamento em algum lugar, ele compartilhava seu assento com Kashyapa, que a partir de então passou a ser o membro sênior da comunidade. Kashyapa era não apenas o membro sênior da comunidade de Buddha Shakyamuni; ele foi o líder intrépido das comunidades de todos os Buddhas do passado. Você deve saber que ele foi um antigo Buddha — não o classifique apenas com os outros discípulos do Buddha.

Diante de uma assembléia de oito mil na Montanha Espiritual [Ghridakuta, o Pico dos Abutres], o Buddha levantou uma flor e piscou seus olhos. Ninguém sabia o seu significado, todos permaneceram em silêncio. Então Kashyapa, sozinho, deu um sorriso. Então o Buddha disse:

Tenho o tesouro do olho do Dharma, a mente inefável do nirvana. Estes eu transmito a Mahakashyapa.

 

  1. De Mahakashyapa para Ananda

 Ananda era da casta guerreira, um primo do Buddha Shakyamuni. Em sânscrito, Ananda significa “Felicidade” ou “Alegria”; ele nasceu na noite da iluminação do Buddha e era tão extraordinariamente belo que todos ficam felizes ao vê-lo — daí vem o seu nome.

Ananda era o mais destacado no aprendizado, intelectualmente brilhante e vasto em entendimento. Ele foi o atendente do Buddha durante vinte anos, propagou todos os ensinamentos de Buddha e estudou todas as maneiras do Buddha. Quando o Buddha transmitiu o tesouro do olho do Dharma a Mahakashyapa, ele também instruiu Ananda a ajudar a comunicar o ensinamento. Então, Ananda acompanhou Kashyapa por mais vinte anos e tornou-se totalmente familiar com todo o tesouro do olho do Dharma.

Quando Kashyapa estava indo compilar os ensinamentos deixados pelo Buddha, não se permitiu que Ananda participasse porque ele ainda não tinha atingido a realização. Então Ananda meditou cuidadosamente e logo atingiu a santidade. Quando foi para a sala onde os ensinamentos estavam sendo compilados, Kashyapa disse que, se tinha atingido a realização, ele deveria entrar por uma exibição de poderes sobrenaturais. Então ananda apareceu em um pequeno corpo e entrou pelo buraco da fechadura. Assim ele finalmente foi capaz de entrar.

Todos os discípulos disseram, “Ananda era o atendendo do Buddha, então ele ouviu muito e estudou amplamente. É como um copo d’água despejado em outro copo, sem derramar qualquer coisa. Vamos pedir a Ananda que recite os ensinamentos para nós”.Então Kashyapa disse a Ananda, “Todos estão esperando que você recite os dizeres do Buddha.” Então Ananda, que tinha mantido a transmissão do Buddha dentro de si, e que tinha agora recebido este pedido do mestre Mahakashyapa, começou a recitar todos os ensinamentos do tempo do Buddha.

Kashyapa disse aos discípulos, “Isto é diferente em algo do que o Buddha ensinou?” Os discípulos disseram, “Não é diferente”.Os discípulos no séqüito eram todos grandes santos com os seis superconhecimentos, incluindo o conhecimento de vidas passadas, clarividência e conhecimento do fim da contaminação eles não esqueceram qualquer coisa que ouviram. Com uma voz disseram, “Isto é a segunda vinda do Buddha ou Ananda falando?” eles disseram em louvor, “As águas do oceano do ensinamento de Buddha fluíram para Ananda.” Os ensinamentos do Buddha que vieram até o presente são aqueles ditos por Ananda. Ele ainda seguiu o mestre Mahakashyapa por vinte anos e foi grandemente iluminado pela primeira vez neste evento.

No passado distante, Ananda despertou a aspiração pela completa iluminação perfeita na presença do Buddha chamado Shunyataraja, Rei da Vacuidade, ao mesmo tempo que o presente Buddha Shakyamuni. Ananda estava aficionado de aprendizado intelectual e é por isso que ele ainda não tinha realizado a iluminação. Shakyamuni, por outro lado, cultivou energia, pela qual atingiu a iluminação. Certamente, muito aprendizado acadêmico é uma mácula sobre o caminho — aqui está a prova disso. É por isso que o Avatamsaka Sutra diz, “Muito aprendizado sem aplicação prática é como um homem pobre contando os tesouros de outra pessoa, sem ter meio centavo para si.” Se você quiser descobrir o que este caminho realmente é, não seja aficionado por aprendizado acadêmico, seja apenas energético na prática progressiva.

Entretanto, há algo além da entrega do robe. Assim, Ananda disse uma vez ao mestre Mahakashyapa:

Ananda: O Buddha deixou o robe dourado a você; o que mais ele transmitiu?
Mahakashyapa: Ananda!
Ananda: Sim?
Kashyapa: Desça o poste do estandarte na frente do portão!

Ananda foi grandemente iluminado ao ouvir isto. Esse robe dourado era a vestimenta transmitida e mantida pelos sete Buddhas da antiguidade.

 

  1. De Ananda para Shanavasa [Shanavasin]

 Em sânscrito, Shanavasa significa “Roupa Natural”. Quando Shanavasa nasceu, ele veio vestindo roupas. No verão, tornavam-se roupas frescas, no inverno tornavam-se roupas quentes. Quando foi inspirado a deixar a sociedade, sua roupagem comum transformou-se espontaneamente em uma vestimenta de monge. Esta veste monástica é chamada kasaya em sânscrito; isto significa “cor indefinida” e “cor não-nascida”.

Shanavasa não nasceu desse modo apenas naquela vida. Quando foi um mercador em uma vida passada, ele deu mil pés de feltro a cem Buddhas, e desde então ele vestiu roupas naturais a cada vida. Geralmente as pessoas se referem ao intervalo entre abandonar da vida presente e antes de alcançar a existência futura pelo termo “existência intermediária”. Durante esse tempo, não vestem roupas. Shanavasa também é o nome de uma planta indiana chamada “Beleza de Nove Ramos”. Quando um santo nasce, esta planta cresce no solo claro. Quando Shanavasa nasceu, esta planta nasceu e por isso ele foi chamado Shanavasa. Ele esteve no entre por seis anos antes de nascer. No passado, o Buddha apontou para uma floresta e disse, “Nesta floresta, um monge chamado Shanavasa girará a roda do Dharma sublime cem anos após a minha morte.” Shanavasa nasceu lá um século depois, eventualmente recebeu a transmissão do mestre Ananda e permaneceu nesta floresta. Girando a roda do Dharma, ele subjugou um dragão de fogo. O dragão de fogo se submeteu a ele e lhe ofereceu esta floresta. Isto estava realmente de acordo com a predição do Buddha.

Originalmente, Shanavasa foi um bruxo das montanhas do Himalaya. Depois de se tornar um discípulo do mestre Ananda, ele perguntou:

Shanavasa: Qual é a essência não-criada e fundamental de todas as coisas?
[Ananda aponta para a ponta da veste de Shanavasa.]
Shanavasa: Qual é a essência básica da iluminação dos Buddhas?

O mestre Ananda agarrou a ponta da veste de Shanavasa e puxou-a com força. Shanavasa foi então grandemente iluminado.

 

  1. De Shanavasa para Upagupta

Upagupta era da casta dos camponeses. Conheceu o mestre Shanavasa quanto tinha quinze anos de idade, tornou-se monge quanto tinha dezessete e realizou a iluminação quando tinha vinte e dois. Quando Upagupta raspou sua cabeça com a idade de dezessete, Shanavasa perguntou a ele:

Shanavasa: Você está deixando seu lar física ou mentalmente?
Upagupta: De fato, estou deixando meu lar fisicamente.
Shanavasa: O que o Dharma sublime de todos os Buddhas tem a ver com corpo ou mente?

Ao ouvir isto, Upagupta foi iluminado. Em suas viagens para dar ensinamentos, Upagupta chegou a Mathura, onde aqueles que atingiram a liberação foram muito numerosos. Por causa disso, o palácio dos maras tremeu e Mara se angustiou e desmaiou. Quando quer que alguém atingisse a realização, Upagupta atirava um talismã do tamanho de quatro dedos em uma caverna. A caverna tinha dezoito cúbitos por doze cúbitos e foi preenchida com talismãs — isso representa quantas pessoas atingiram a iluminação. Quando Upagupta morreu, ele foi cremado com os talismãs que representavam aqueles que ele tinha iluminado. Como muitas pessoas foram liberadas por ele assim como no tempo do Buddha, Upagupta era chamado de “Buddha sem as marcas especiais”.

 

  1. De Upagupta para Dhritaka [Dhitika]

Quando Dhritaka nasceu, seu pai teve um sonho incomum: um sol dourado veio da asa e iluminou o céu e a terra. Na frente havia uma grande montanha adornada magnificamente com jóias e em seu topo brotava uma fonte nas quatro direções.

Dhritaka contou o sonho de seu pai ao mestre Upagupta, que o interpretou com clareza:

A grande montanha sou eu. A fonte brotando significa a vazão de sua sabedoria e verdade sem fim. o sol emergindo da casa é um sinal de sua presente entrada no caminho. A iluminação do céu e da terra é a transcendência através da sabedoria.

Então, ainda muito jovem, ele decidiu deixar sua casa para se tornar um monge.

Upagupta: Você pretende renunciar ao mundo. você renuncia ao mundo no corpo ou na mente?
Dhritaka: Procuro renunciar ao mundo nem pelo ou pela mente.
Upagupta: Já que não é para o corpo ou mente, então que renuncia ao mundo?
Dhritaka: Aquele que renuncia ao mundo não tem “eu” pessoal, não tem posses pessoais, então mentalmente não é despertado nem esquecido. Este é o caminho eterno. os Buddhas também são eternos. A mente não tem forma e sua essência também é assim.
Upagupta: Você precisa despertar completamente e atingir isto em sua mente.

Desse modo, Dhritaka absorveu a luz da iluminação, sua mente original.

 

  1. De Dhritaka para Micchaka

Micchaka era um xamã da Índia central, um mago com grandes poderes sobrenaturais e oito mil seguidores. um dia, ele levou todos eles para prestar respeitos ao mestre Dhritaka.

Micchaka: No passado, ambos vivemos no paraíso da pureza. Encontrei o bruxo Asita e aprendi os métodos de bruxaria, enquanto você encontrou um buddhista completamente poderoso e praticou meditação. A partir de então, nosso aberturas diferiram e partimos em nossos caminhos separados durante seis éons, até agora.
Dhritaka: Ter passado éons separados, que lição isto é! Agora você deve abandonar o falso e retornar ao verdadeiro, pelo qual entrará no veículo da iluminação.
Micchaka: Há muito tempo atrás, o bruxo Asita predisse que depois de seis éons eu encontraria um estudante próximo e realizaria o estado de não-contaminação. Nosso encontro presente não é devido à nossa relação passada? Por favor, seja bondoso e compassivo para me liberar.

O mestre Dhritaka fez Micchaka renunciar ao mundo e aceitar os preceitos, que inspirou todos os seus seguidores a fazer o mesmo, tornando-se monges. Então o mestre Dhritaka disse:

Praticar bruxaria, assim aprendendo algo menor, é como ser arrastado por uma corda. Você deve saber por si mesmo que, se abandonar o pequeno rio e imediatamente retornar para o grande oceano, você realizará o não-criado.

Ao ouvir isso, Micchaka compreendeu sua natureza não-criada e despertou para o grande oceano da iluminação.

 

  1. De Micchaka para Vasumitra

Vasumitra era do clã Bharadhvajra, do norte da Índia. Sempre usava roupas limpas e costumava vagar pelas vilas carregando um vaso de vinho.

Certa vez, ele encontrou o mestre Micchaka, colocou o vaso diante dele, curvou-se e perguntou:

Vasumitra: Você sabe o que é isto?
Micchaka: É um vaso, ainda impuro.

Micchaka: Este vaso é meu ou é seu?
Vasumitra: Se você considerar isso como meu vaso, então ele é a sua natureza inerente. E então, se este for o seu vaso, você deve receber o meu ensinamentos.

Vasumitra compreendeu que possuía o pote, que possuía a própria natureza búddhica, e então alcançou o caminho, além do absoluto, além do relativo.

 

  1. De Vasumitra para Buddhanandi

Buddhanandi era um especialista em filosofia e dialética. Ao encontrar o mestre Vasumitra, decidiu desafiá-lo.

Buddhanandi: Vim debater com você sobre a natureza da verdade.
Vasumitra: Meu caro amigo, a verdade não tem dois lados; logo, nunca foi e nunca poderá ser debatida. Qualquer coisa que seja debatida, por mais profunda que seja, simplesmente não é a verdade. Tudo o que é declarado sobre a verdade, por mais coerente e correto, permanece apenas no nível da discussão. Sempre há alguma perspectiva, em que qualquer afirmação pode e deve ser debatida. Até mesmo a menor intenção de afirmar ou discutir já encobre o que é real. Nenhuma afirmação verbal, como dizer que “a mente e seus objetos não estão fundamentalmente separados”, pode ser a verdade. A afirmação verbal de que “a verdade está além das palavras e dos pensamentos” também não é a verdade. Afirmar que “sujeito e objeto são esquecidos na iluminação”, ou expressar que “sujeito e objeto não são esquecidos na iluminação”, também não são a verdade.

A afirmação do bodhisattva Manjushri de que “a realidade está muito além da fala” é uma expressão excelente da verdade, mas é não é verdade real. Até mesmo a resposta radical de Vimalakirti, sentado em silêncio trovejante, é uma mera expressão do que é real. Enquanto intervir qualquer senso de definição, ou mesmo um senso de expressar a verdade, o princípio da natureza não-nascida não pode ser esclarecido, e permaneceremos confusos, mesmo que sejamos discípulos de Buddha.

Extinguir o corpo e a mente em uma concentração inquebrantável é uma obstrução severa. Até mesmo o mais alto caminho do rejeitar os dualismos de “delusão” e “iluminação”, de evitar as noções de “impureza” e “pureza”, é uma venda opaca. Tanto a forma quanto a não-forma adulteram a verdade, assim como a miragem adultera o deserto. Não devemos nem procurar a verdade através das formas douradas de Buddhas, nem através da sua brilhante não-forma. Se você afirmar que o samsara é um sonho, ainda sobra alguém sonhando e alguém afirmando. Que engraçado! Mesmo a diferenciação entre “falso” e “verdadeiro” permanece no nível da discussão perene e portanto não é a verdade. Simplesmente seja a verdade! Mas não ache você irá se tornar uma lagoa tranqüila ou um céu imaculado!

Subitamente, Buddhanandi realizou a verdade, além das meras expressões.

 

  1. De Buddhanandi para Buddhamitra

Buddhamitra tinha sido mudo e paralítico desde que nasceu. Aos 50 anos, ele acabou encontrando o mestre Buddhanandi, que estava viajando e ensinando pela Índia. Ao ver o mestre, Buddhamitra deu seus primeiros passos e pronunciou suas primeiras palavras.

Buddhamitra: Nem mesmo a mãe e o pai estão tão próximos; onde está a verdadeira intimidade? Nem mesmo os Buddhas estão tão próximos; onde está o grande caminho?
Buddhanandi: Sua fala ainda não tinha se manifestado porque você está unido com a mente essencial. Sua intimidade com seus pais é tão intensa que você hesitou  em andar. Mas você deve renunciar ao seu lar, pois a intimidade com a mente é infinitamente mais intensa. É a intimidade da não-dualidade. Você não manifestou qualquer ação porque você já está no grande caminho, que não pode ser expresso por qualquer forma exterior ou interior, nem mesmo pelas auspiciosas formas douradas dos Buddhas, aos quais você é profundamente devotado. Agora, você deve despertar para a mente essencial, percebendo que não é necessário ficar unido silenciosamente com ela. Tudo o que você pensa ou faz não está separado da mente essencial.

Assim como Shakyamuni fez ao nascer, Buddhamitra deu sete passos e confirmou o seu íntimo despertar para a mente essencial, sete passos no grande caminho.

 

  1. De Buddhamitra para Parshva

Parshva tornou-se monge aos 60 anos de idade. Os outros monges e monjas acharam isso ridículo, mas Parshva continuou a aprender, estudar e meditar. Três anos depois, o mestre Buddhanandi estava recitando o Sutra do Não-nascimento. Parshva, atento, sem se apegar a qualquer palavra ou gesto do mestre Buddhamitra, simplesmente despertou para a natureza búddhica.

 

  1. De Parshva para Punyayasha[s]

Quando o mestre Parshva chegou à vila onde residia Punyayashas, ele avisou aos seus companheiros que ali apareceria um grande sábio.

Parshva: De onde você vem? Onde você mora?
Punyayashas: Minha mente não vem nem vai. Minha mente não mora em lugar algum.
Parshva: Você me parece um pouco desorientado.
Punyayashas: Todos os Buddhas estão neste estado.
Parshva: Esta noção, “todos os Buddhas”, é uma falsificação.

Após três semanas, Punyayashas conseguiu compreender o que o mestre havia dito. Ele foi até o mestre Parshva e completou:

Esta noção, “todos os Buddhas”, realmente é uma falsificação, e assim são as noções de “sagrado”, “santo”, “especial”.

 

  1. De Punyayashas para Ashvagosha [Anabodhi]

O monge Ashvagosha, já conhecido por suas grandes virtudes, perguntou ao mestre Punyayashas:

Ashvagosha: O que é Buddha?
Punyayashas: A pessoa que realmente não conhece o Buddha é um Buddha.
Ashvaghosha: Como alguém pode saber definitivamente que o estado de não-conhecer é Buddha?
Punyayashas: Como alguém pode saber definitivamente que o estado de não-conhecer não é Buddha?
Ashvagosha: Esta conversa está parecendo uma serra afiada.
Punyayashas: Também parece com uma madeira fina. Para você, o que significa a expressão “serra afiada”?
Ashvagosha: Caro mestre, nós estamos alinhados como os dentes de uma serra afiada. E para o senhor, o que significa a expressão “madeira fina”?
Punyayashas: A hora chegou. Agora, você está serrado!

O mestre cortou todas as delusões que Ashvagosha, que subitamente alcançou o caminho.

 

 

  1. De Ashvagosha para Kapimala

Kapimala, que praticava várias tradições esotéricas, tinha três mil seguidores. Diante do mestre Ashvagosha, Kapimala começou a fazer várias mágicas; e todas foram anuladas pelo mestre.

Ashvagosha: Você pode transformar o vasto oceano com seus poderes?
Kapimala: Certamente!
Ashvagosha: E o oceano da realidade? As montanhas, os rios e a terra aparecem simplesmente como ondas neste oceano. O grande conhecimento e a grande ação dos humanos completamente realizados parecem simplesmente como ondas neste oceano.

Então, Kapimala compreendeu que seus poderes eram meras ondas do oceano da realidade. Assim, ele entrou no verdadeiro oceano da sabedoria.

 

 

  1. De Kapimala para Nagarjuna

O monge Nagarjuna era um grande conhecedor do buddhismo. Certa vez, seu mestre, Kapimala, ganhou uma jóia preciosa de outra dimensão, do reino das nagas.

Nagarjuna: Esta jóia, brilhante e mágica, tem forma ou não?
Kapimala: Você ainda está obcecado por dualismos, “com forma” e “sem forma”. Por que você não percebe esta jóia diretamente? Ela não tem forma, nem é sem-forma. Além disso, ela nem mesmo é uma jóia.

Nagarjuna percebe a forma da não-forma, a jóia que não é uma jóia, e realiza o caminho.

 

  1. De Nagarjuna para Aryadeva

Aryadeva foi a uma audiência com o mestre Nagarjuna, esperando que fosse admitido como discípulo. O mestre pediu para colocarem um pote d’água diante de Aryadeva, que jogou uma agulha no pote e o devolveu a Nagarjuna. Ambos começaram a rir, e Aryadeva realizou a perfeição da sabedoria.

 

  1. De Aryadeva para Rahulata [Rahulabhadra]

O jovem Rahulata estava ouvindo uma conversa entre seu pai e o mestre Aryadeva. Simplesmente ouvindo, o menino também despertou a sabedoria.

 

  1. De Rahulata para Sanghanandi

Desde a infância, Sanghanandi interessou-se pelo buddhismo. Aos 19 anos de idade, abandonou o palácio onde morava e passou a morar em uma caverna distante. Aos 29 anos, ele encontrou o mestre Rahulata, que lhe disse:

Por mim, que não tenho um “eu limitado”, você pode ver claramente o “eu ilimitado”. Se você concordar profundamente comigo, perceberá que o “eu limitado” nunca se funde no “eu ilimitado” durante a profunda absorção do samadhi. Por quê? Para aquele que vê o “eu ilimitado” claramente, o “eu limitado” simplesmente não existe, nem mesmo chegou a existir.

Assim, Sanghanandi viu claramente o eu ilimitado e recebeu a transmissão.

 

 

  1. De Sanghanandi para Gayashata [Sanghayathata]

 

Gayashata nasceu com uma grande sabedoria e, ainda jovem, encontrou o mestre Sanghanandi. Ao ouvir o barulho de um sino ao vento, o mestre perguntou:

Sanghanandi: O sino está tocando ou vento está tocando?
Gayashata: Não é o sino, nem mesmo o vento, mas sim a grande mente que está tocando.
Sanghanandi: Para quem a grande mente está aparecendo agora?
Gayashata: Tanto o sino quanto o vento são o silêncio da grande mente.

No som silencioso da mente, a sabedoria se manifestou espontaneamente.

 

  1. De Gayashata a Kumara[la]ta

O mestre Gayashata encontrou Kumarata em uma pequena vila indiana, proclamando:

O venerável e sábio Shakyamuni profetizou que, mil anos depois de seus mahaparinirvana, um grande ser nasceria nesta pequena vila, um ser vajra que deve receber e transmitir o ensinamento súbito. Você realizou esta boa fortuna simplesmente ao me encontrar.

Realmente, ao ouvir aquelas palavras, Kumarata subitamente alcançou o caminho.

 

 

  1. De Kumarata para Jayata [Shayata]

Jayata conhecia muito bem os ensinamentos de Buddha, mas ainda tinha muitas dúvidas a respeito do karma. Então, o mestre Kumarata explicou:

Você ainda não percebeu que as estruturas morais do karma, coerentes como são, manifestam-se apenas pelo senso delusório da separação. O sentido de separação resulta da consciência sujeito-objeto, que por sua vez resulta da ignorância. Esta teia de aparente causalidade vislumbra dentro do espaço da mente pura, a extensão infinita que não experimenta nem a originação nem a cessação. A mente pura, livre da atividade e da identidade, é portanto livre de quaisquer resultados que possam aparecer do karma, tanto superiores quanto inferiores. A mente pura é dinâmica e penetrante; porém, é essencialmente tranqüila. No momento em que você assimilar esta verdade, você será exatamente o mesmo com todos os Buddhas do espaço e do tempo. Você verá as condições chamadas de boas ou ruins, assim como a extensão incondicionada que está além do “bem” e do “mal”, como sendo sonhos vívidos e insubstanciais.

Assim, Jayata extinguiu suas dúvidas e realizou a perfeição da sabedoria.

 

 

  1. De Jayata para Vasubandhu

Vasubandhu era um monge com muitos seguidores, venerado antes mesmo de nascer. O mestre Jayata entrou em sua sangha como um mendigo e perguntou:

Jayata: Vasubandhu é muito puro, mas será que ele vai despertar completamente?
Monges: Ele já um desperto.
Jayata: O mestre de vocês ainda está longe do despertar completo. Ele pode continuar a praticar a disciplina severa e a promulgar definições rigorosas por várias eras mas, sem o despertar completo, estes esforços só plantarão sementes de divisão, de importância, de obsessão, de limitação.
Monge superior: Que poder espiritual você acumulou, sábio errante, para poder avaliar o nosso mestre?
Jayata: Nunca segui o caminho da evolução; então, não sou dividido. Nunca venerei os Buddhas; então, não sou importante. Nunca pratiquei a meditação silenciosa; então, não sou obsesso. Nunca coloquei limites; então, não sou limitado. Simplesmente permanecendo em sua natureza verdadeira, minha mente já é o despertar completo.

Vasubandhu, que estava por perto, também ouviu isso e compreendeu que sua verdadeira natureza também era o completo despertar.

 

  1. De Vasubandhu para Manorhita [Manorata]

Manorhita era o monge ajudante do mestre Vasubandhu. Certa vez, perguntou:

Manorhita: O que é exatamente a iluminação dos Buddhas?
Vasubandhu: Esta iluminação é simplesmente a natureza essencial da consciência cotidiana.
Manorhita: O que é a natureza essencial da consciência cotidiana?
Vasubandhu: É a ausência de qualquer separação entre órgãos dos sentidos, objetos dos sentidos e consciências dos sentidos.

Subitamente, Manorhita compreendeu a natureza essencial de consciência e recebeu a transmissão.

 

  1. De Manorhita para Haklenayasha[s]

Haklenayashas tornou-se monge aos 22 anos. Aos 30, encontrou o mestre Manorhita, que lhe fez uma grandiosa revelação:

Sou o tesouro incomparável e inesgotável da iluminação total. Agora, você deve receber este tesouro, tornar-se este tesouro, transmitir este tesouro às gerações futuras.

Simplesmente ouvindo estas palavras, Haklenayashas despertou subitamente.

 

  1. De Haklenayashas para Aryasimha [Simhabodhi]

Aryasimha conhecia diversos ensinamentos de outras tradições, mas encontrou o seu caminho no

Dharma de Buddha. Certa vez, ele perguntou ao mestre Haklenayashas:

Aryasimha: Estou comprometido a seguir o caminho de Buddha. Que votos e métodos devo adotar?
Haklenayashas: Para alguém verdadeiramente comprometido com o caminho de Buddha, não há procedimentos.
Aryasimha: Então, como a atividade de Buddha pode fluir?
Haklenayashas: Ocupar-se ou preocupar-se com procedimentos não é a atividade de Buddha. Não fazer coisa alguma é a atividade de Buddha. Como ensina o sutra, “Quaisquer méritos que eu atinja não pertencem a mim.”

Deste modo, Aryasimha realizou a atividade de Buddha.

 

  1. De Aryasimha para Basiasita [Bashashita]

O jovem Basiasita nunca tinha tinha conseguido abrir sua mão esquerda, que tinha os dedos fechados, em punho, desde o seu nascimento. Seu pai resolveu levá-lo ao mestre Aryasimha, em busca de um milagre. E o mestre lhe disse:

Transmito agora o tesouro inextinguível do olho do dharma, que discerne apenas o ensinamento supremo, em qualquer lugar. Guarde bem este tesouro e todos os seres despertarão, agora e sempre.

Basiasita abriu sua mão esquerda pela primeira vez, e recebeu o maior de todos os tesouros: a transmissão do tesouro do dharma.

 

  1. De Basiasita para Punyamitra

Antes de fazer a transmissão, o mestre Basiasita teve um breve diálogo com seu sucessor, Punyamitra:

Basiasita: Se você renunciar ao seu lar, o que você fará?
Punyamitra: Absolutamente nada.
Basiasita: Se você renunciar ao seu lar, o que você não fará?
Punyamitra: Não farei qualquer pensamento comum, nenhuma ação comum.
Basiasita: Se você realmente renunciar ao ser lar, quem você será?
Punyamitra: Serei a atividade de Buddha, com toda clareza e intensidade.

Deste modo, Punyamitra realizou a atividade de Buddha, com toda clareza e intensidade do despertar.

 

  1. De Punyamitra para Prajnatara [Prajnadhara]

O órfão Prajnatara vagava por diversos caminhos, sem família, sem lar. Aos 20 anos de idade, ele encontrou o mestre Punyamitra.

Punyamitra: Você lembra do antigo caminho?
Prajnatara: Lembro-me de estar com você em outra era, venerável sábio. Você estava irradiando silenciosamente a perfeição da sabedoria e eu estava cantando melodiosamente sua expressão suprema, o Sutra da Perfeição da Sabedoria. Nosso encontro atual é um reflexo do encontro passado.

No silêncio que se seguiu, Prajnatara recebeu a luz da perfeição da sabedoria.

 

  1. De Prajnatara para Bodhidharma

O ex-príncipe Bodhidharma conheceu Prajnatara como um mestre de Vajramushti, a arte marcial da antiga Índia. Depois, ele descobriu que Prajnatara também era um mestre do Dharma de Buddha, pelo qual se interessou ainda mais.

Prajnatara: O que é completamente sem características e, portanto, completamente incaracterizável?
Bodhidharma: É aquilo que nunca, quando se manifesta livremente, nunca surge no lugar original.
Prajnatara: O que é o mais excelente, exalto e sublime?
Bodhidharma: É a clareza e brilho inatos da própria consciência.
Prajnatara: O que é realmente ilimitado e, portanto, sem nenhuma divisão ou ligação?
Bodhidharma: É a própria natureza da realidade, da maneira que ela é, momento a momento.

Depois dessa transmissão, Prajnatara pediu a Bodhidharma para que levasse a luz do Dharma até a China. Depois de uma longa viagem de barco, ele chegou lá e se encontrou com o imperador Wu, do reino de Liao.

Wu: Eu construí templos e monastérios para os monges, dei dinheiro para os pobres. Quantos méritos eu consegui?
Bodhidharma: Mérito nenhum.
Wu: Então, o que é o ensinamento sagrado do Buddha?
Bodhidharma: É vazio e nada tem de sagrado.
Wu: Mas afinal, quem é você?
Bodhidharma: Não sei.

Depois disso, Bodhidharma se retirou para o norte e se instalou no monastério Shao-lin, onde se iniciaria a luminosa linhagem chinesa do Zen.

 

Transmissões na China

 

  1. De Bodhidharma para Hui-k’o

 

Hui-k’o (Xing Hua, seu nome original) tinha estudado as duas filosofias chinesas, o confucionismo e o Taoísmo, além  de ser um grande guerreiro e dominar o Kung Fu e medicina chinesa, mas seu interesse real era pelo Dharma de Buddha. Tornou-se monge, passou a estudar os sutras e a meditar rigorosamente. Com a permissão do seu abade, ele viajou ao monastério Shao-lin, onde estava o mestre Bodhidharma. Hui-k’o só foi admitido por Bodhidharma após cortar o próprio braço, como prova de fé inabalável. Oito anos depois, ele declarou:

Hui-k’o: Finalmente, coloquei fim às condições.
Bodhidharma: Tal estado deve ser equivalente à morte.
Hui-k’o: Não tem nada tem a ver com a morte.
Bodhidharma: Pode me provar isso?
Hui-k’o: Estou claramente e continuamente desperto. Absolutamente, não há palavras adequadas para expressar esta claridade!
Bodhidharma: Esteja certo de que tal claridade é a própria essência da mente de todos os buddhas.

Com esta transmissão, Hui-k’o tornou-se o segundo ancestral do Ch’an, o Zen chinês.

 

  1. De Hui-k’o para Seng-ts’na

Sabe-se muito pouco sobre o passado de Sent-ts’an. Afetado pela lepra, ele procurou o mestre Hui-k’o para conseguir se curar.

Seng-ts’an: Meu corpo está manifestando a lepra. Eu suplico, venerável sábio, que você purifique o meu grande karma negativo.
Hui-k’o: Traga-me o seu karma e irei purificá-lo instantaneamente.
Seng-ts’an: Mesmo procurando-o, simplesmente não posso encontrar esse karma.
Hui-k’o: Seu karma sempre foi puro. Aproxime-se de mim com grande sinceridade, você desenvolveu as Três Jóias: o Buddha é a pureza original da mente; o ensinamento essencial do Dharma é a pureza original da mente; e a Sangha, que realiza e promove a verdade da não-dualidade, também é a pureza original da mente.

Seng-ts’an percebeu a pureza de sua mente, curou-se instantaneamente e realizou o caminho.

 

  1. De Seng-ts’an para Tao-hsin

Com apenas 13 anos de idade, Tao-hsin recebeu a transmissão do mestre Seng-ts’an:

Tao-hsin: Por favor, mestre sagrado, demonstre-me sua grande compaixão, apontando diretamente o ensinamento libertador sobre o vazio.
Seng-ts’an: Quem ou o que está te aprisionando?
Tao-hsin: Ninguém nem nada me aprisiona.
Seng-ts’an: Então, por que você considera o ensinamento do vazio como um ensinamento libertador? Por que você procura a libertação no lugar original? Já que ninguém está realmente preso, como a libertação pode ser demonstrada?

Subitamente, o jovem Tao-hsin realizou a liberação.

 

  1. De Tao-hsin para Hung-jen

Um velho peregrino foi até o mestre Tao-hsin para pedir a transmissão, e o mestre respondeu:

Você é tão venerável em idade que, se eu te transmitisse o Dharma agora, você não poderia ensiná-lo por muito tempo. Por favor, volte mais tarde, vou esperá-lo.

O velho peregrino partiu e encontrou uma jovem, muito religiosa, que estava lavando roupa em um rio. O peregrino perguntou a ela sobre alojamento, e a jovem foi consultar seus pais. Ao retornar, ela encontrou o peregrino morto e, meses depois, descobriu que estava milagrosamente grávida.

Ninguém acreditou no que tinha acontecido. Quando seu filho nasceu, ela tentou abandoná-lo no rio, mas uma semana depois, ele ainda continuava lá, saudável e radiante. Passaram a viver como mendigos, sem lar e sem família; o menino passou a ser conhecido como sem nome.

Quando tinha 7 anos de idade, ele foi encontrado pelo mestre Tao-hsin.

Tao-hsin: Qual é o seu nome?
Sem nome: Eu sou essência, não nome.
Tao-hsin: Essa essência que você é, possui nome?
Sem nome: Despertar.
Tao-hsin: Despertar é o seu nome?
Sem nome: Eu sou sem nome.

Depois desta transmissão, o menino sem nome passou a ser chamado de Hung-jen.

 

 

 

  1. De Hung-jen para Hui-neng

Desde pequeno, Hui-neng trabalhava como lenhador, para sustentar a si mesmo e à sua mãe doente. Certa vez, quando estava vendendo lenha na cidade, ouviu um homem recitando um livro em voz alta. Hui-neng ficou muito impressionado com aquelas palavras e foi perguntar àquele homem:

Hui-neng: Que livro é esse?
Homem: É um sutra.
Hui-neng: Que sutra?
Homem: O Sutra do Diamante.
Hui-neng: Onde o conseguiu, e por que você está o recitando?
Homem: Consegui este texto no monastério Tung-ch’an, no distrito Huang-mei de Ch’i-chou. O abade deste monastério é Hung-jen, o quinto mestre, que tem cerca de mil discípulos. Quando fui prestar reverência ao ele, falou-me deste sutra. O mestre costuma encorajar tanto os leigos quantos os monges a lerem este sutra, para que realizem a natureza da mente e alcancem diretamente a iluminação.
Hui-neng: Gostaria de conhecer este mestre.
Homem: Quer mesmo ir ao monastério Tung-ch’an? Fica bem longe…
Hui-neng: Por mais longe que seja, gostaria de ir.
Homem: Então, vá até ele!
Hui-neng: Infelizmente não posso, preciso cuidar de minha velha mãe.
Homem: Isso não é problema, pegue estas dez moedas e leve para ela. É o suficiente para o sustento dela.

Muito comovido, Hui-neng levou as moedas à sua mãe, despediu-se e foi para a província de Huang-mei, no norte, onde chegou depois de um mês de caminhada. Ao encontrar o mestre Hung-jen, ele lhe disse:

Hui-neng: Sou um lenhador da província Hsin-chou de Kuang-tung. Viajei desde longe para prestar reverência ao senhor e para pedir apenas a iluminação.
Hung-jen: Você é nativo de Kuang-tung, um bárbaro? Como espera se tornar um buddha?
Hui-neng: Apesar de existirem homens do norte e homens do sul, norte e sul não fazem diferença na natureza búddhica. Um bárbaro é fisicamente diferente do senhor, mas não em natureza búddhica.

Hui-neng foi admitido no monastério como cozinheiro. Oito meses depois, o mestre pediu aos monges para que escrevessem um gatha, um breve poema sobre o despertar. O único a escrever o poema foi Sheng-hsiu, o mais estudioso dos monges. Muito preocupado, ele hesitou por quatro dias, mas finalmente escreveu o seu poema, em uma das paredes do monastério:

O corpo é a árvore da iluminação,
A mente é um espelho brilhante
Que devemos limpar continuamente
Para que a poeira não grude.

O mestre Hung-jen descobriu a autoria do poema e pediu a Sheng-hsiu para que escrevesse outro. Hui-neng, que estava trabalhando na cozinha, ouviu um jovem noviço recitar aqueles versos e perguntou do que se tratava. Então, Hui-neng decidiu compor um poema também; como não sabia ler ou escrever, pediu ao noviço para que o anotasse na parede:

O corpo não é uma árvore,
A mente não é um espelho;
Já que tudo é vazio,
Como a poeira pode grudar?

Depois de ler o poema, o mestre Hung-jen apagou-o com a sandália e, durante a noite, foi à cozinha, onde estava Hui-neng.

Hung-jen: O arroz já está branco?
Hui-neng: Sim, perfeitamente branco! Mas as cascas ainda não foram peneiradas.

Com sua bengala, o mestre deu três batidas em um pilão de pedra, o que significava que Hui-neng deveria ir aos seus aposentos depois de três horas. Hui-neng respondeu, sacudindo três vezes a sua peneira.

Então, três horas depois, o mestre recitou o Sutra do Diamante para Hui-neng. Ao ouvir o trecho

… deve-se usar a mente de tal modo que ela esteja livre de todo apego…

Hui-neng subitamente despertou. O mestre Hung-jen deu a ele o pote e o manto, símbolos da transmissão, e pediu para que se retirasse do monastério, temendo a inveja dos outros monges. Hui-neng partiu para as montanhas do sul da China, onde viveu por 15 anos como caçador e só então se tornou monge, atraindo muitos discípulos.

 

  1. De Hui-neng para Ch’ing-yüan

Ch’ing-yüan era monge desde pequeno, mas continuava cheio de dúvidas. Ao encontrar o mestre Hui-neng, perguntou:

Ch’ing-yüan: O que devo fazer para não ficar confuso nos estágios do desenvolvimento espiritual?
Hui-neng: Qual estágio você já atingiu?
Ch’ing-yüan: Eu ainda nem comecei a refletir sobre as quatro verdades nobres!
Hui-neng: Qual estágio você vai definitivamente atingir?

Com esta pergunta, Ch’ing-yüan tem suas dúvidas dissipadas e responde, sorridente:

Se eu nunca começar nem mesmo os estágios iniciais, como poderei atingir algum estágio? Que estágios podem haver?

Sem confusão, sem estágios, Ch’ing-yüan realizou a sabedoria.

 

  1. De Ch’ing-yüan para Shih-t’ou

Quando era criança, Shih-t’ou mostrava-se totalmente contra os sacrifícios de animais, praticados pelas tribos de caçadores de sua região. Aos 13 anos, ele se tornou noviço. Pouco tempo depois, o mestre Hui-neng faleceu, e Shi-t’ou fez retiros solitários por períodos prolongados. A encontrá-lo, o mestre Ch’ing-yüan perguntou:

Ch’ing-yüan: De onde você é?
Shih-t’ou: Do seu monastério original.
Ch’ing-yüan [levantando seu cetro]: Isto existe no monastério?
Shih-t’ou: Não, em nenhum monastério, nem mesmo sa terra sagrada da Índia.
Ch’ing-yüan: Desde quando você vai à Índia?
Shih-t’ou: Apenas se eu fosse à Índia que isso estaria lá.
Ch’ing-yüan: Declarações ultrajantes não são suficientes, diga mais.
Shih-t’ou: Não conte comigo para que eu diga tudo. Você também deve falar.
Ch’ing-yüan Não estou me recusando a falar. Estou apenas achando que, depois de mim, ninguém realmente despertará.
Shih-t’ou: Os mestres futuros certamente despertarão, mas eles podem ser incapazes de expressar isso.

Então, o mestre Ch’ing-yüan bateu com cetro em Shih-t’ou, completando a transmissão. Os mestres futuros também puderam despertar.

 

  1. De Shih-t’ou para Fu Yu Hu Ju

A transmissão de Shi-t ´ou para Fu Yu está perdida no tempo, e não há registros ou relatos que descrevem o diálogo entre os dois mestres. O que podemos afirmar com certeza é que Fu Yu fora um soldado que fatigado de participar de inúmeras batalhas tornou-se monge em Shaolin. Mal sabia ele que o mostero tinha origens marciais que foram herdadas desde mestre Prajnathara, professor de Bodhidharma.  Ao juntar técnicas do exército chinês com as tradiçãoes de exercícios internos ttransmitidos por Damo, ele desenvolveu um poderoso Kung Fu baseado nos conceitos budistas. A tradição Cha`n &Quan (Zen e Kung Fu) de Shaolin estimulou e inspirou Fu Yu a continuar os estudos de artes marciais paralelamente à prática do Budismo, elevando o treinamento do Kung Fu como desenvolvimento espiritual.

 

Destaques da linhagem

Antecessores;

Faxian 法顯 foi um monge budista chinês e tradutor que viajou a pé da China à Índia, visitando locais sagrados budistas no centro, sul e sudeste da Ásia entre 399 e 412 para adquirir textos budistas. Ele descreveu sua jornada em seu diário de viagem, A Record of Buddhist Kingdoms. Conhecido por peregrinar  A visita de Faxian à Índia ocorreu durante o reinado de Chandragupta II . Ele também é conhecido por sua peregrinação a Lumbini , o local de nascimento de Gautama Buda (atual Nepal ). Visitou as ruinas da cidade capital do Rei Ashoka, grande monarca Budista do século 2 antes de Cristo. Faxian foi um grande tradutor da época da rota da seda.

Contemporâneos de Bodhidharma:

Zhiyi ( chinês :智 顗; 538-597 dC)  é o fundador da tradição Tiantai de Budismo na China . Seu título padrão era Śramaṇa Zhiyi (沙門 智 顗), ligando-o à ampla tradição do ascetismo indiano. Zhiyi é famoso por ser o primeiro na história do budismo chinês a elaborar uma classificação completa, crítica e sistemática dos ensinamentos budistas. Ele também é considerado a primeira figura importante a romper significativamente com a tradição indiana, formando um sistema chinês local. Criou as categorias como “Os cinco períodos e oito ensinamento de Buda”, e os “Os Quatro Samadhis”.

Xuanzang (ou Hsuan-tsang) (602 -644/664) foi um célebre monge budista chinês Ch’an, nascido en Luoyang (Henan) no seio de uma família de eruditos, sendo o mais novo de quatro irmãos (alguns textos mencionam que tinha dois irmãos e uma irmã mais velhos).Em 629 partiu em peregrinação para a Índia, de onde regressou em Abril de 645 com grande quantidade de textos em sânscrito, aumentando assim consideravelmente a quantidade de literatura budista disponível na China. Com o apoio do imperador, fundou um importante departamento de tradução em Xi’an, que albergava estudantes e colaboradores de toda a Ásia Oriental. É-lhe reconhecida a tradução de cerca de 1330 fascículos escritos para chinês.

O vigor dos seus próprios estudos, traduções e comentários dos textos destas tradições propiciou o desenvolvimento da escola Faxian na Ásia Oriental.  Quando retornou da India queria ir morar em Shaolin porém o Imperador ordenou que ele ficasse no palácio da capital. Deu origem ao conto tradicional “Viagem para o oeste” com o rei macaco.

Linhagem paralela:

Daoyu foi o primeiro discípulo formal de Bodhidharma antes mesmo de Huiko, mas não continuou a linhagem

Faru foi um monge budista proeminente durante a dinastia Tang na China. Originalmente um estudante de Huimíng, que enviou Faru para as montanhas do leste para estudar com Daman Hongren. Com Hongren, com quem estudou por dezesseis anos, Faru recebeu a transmissão do dharma. Depois de um tempo nas montanhas do leste, Faru deixou Luoyang, passando algum tempo no mosteiro de Shaolin e ajudando a restabelecer sua proeminência.

Faru foi notável na história do Zen, pelo conceito de linhagem, uma noção fundamental da identidade das escolas, parece ter tido origem nele ou em seus seguidores imediatos. Seu epitáfio fala de uma linha ininterrupta de transmissão de mente para mente desde Gautama Buda para Bodhidharma, fundador do Zen, para Hongren mestre de Faru e para o próprio Faru. A ele é atribuida esta linhagem.

Shenxiu foi o discipulo de Hongren que a ele seria passado o manto  a tigela e a linhagem antes de Huineng.  Shenxiu, Faru e Huineng foram proeminentes facetas da transmissão de Hongren que representam A transmissão formal, A transmissão secreta e a transmissão monastica.

Linhagem de Shideyang:

A linhagem de Shideyang pode ser seguida pelos ultimos abades de Shaolin até Shifu Luis Mello.

Shi Henglin

Shi Miaoxin

Shi Zhenxu

Shi Suxi

Shi Deyang

Shi Xingluo (Shifu Luis Mello – discípulo Leigo)

 

Genealogia de patriarcas Shaolin

(A partir de Fuyu)

 

1. Fuyu Hui Ju 20. Zu
2. Hui 21. Qing
3. Zhi 22. Jing
4. Zi 23. Zhen
5. Jue 24. Ru
6. Zi 25. Hai
7. Ben 26. Zan
8. Yuan 27. Ji
9. Ke 28. Chun
10. Wu 29. Chen
11. Zhou 30. Su
12. Hung 31. De
13. Pu 32. Xing
14. Guang 33. Yong
15. Zong 34. Yan
16. Dao 35. Heng
17. Qing 36. Miao
18. Tong 37. Ti
19. Xuan 38. Chang

 

Sanscrito Chinês
Mahākāśyapa 摩訶迦葉 / Móhējiāyè
Ānanda 阿難陀 (阿難) / Ānántuó (Ānán)
Śānavāsa 商那和修 / Shāngnàhéxiū
Upagupta 優婆掬多 / Yōupójúduō
Dhrtaka 提多迦 / Dīduōjiā
Miccaka 彌遮迦 / Mízhējiā
Vasumitra 婆須密 (婆須密多) / Póxūmì (Póxūmìduō)
Buddhanandi 浮陀難提 / Fútuónándī
Buddhamitra 浮陀密多 / Fútuómìduō
Pārśva 波栗濕縛 / 婆栗濕婆 (脅尊者) / Bōlìshīfú / Pólìshīpó (Xiézūnzhě)
Punyayaśas 富那夜奢 / Fùnàyèshē
Ānabodhi / Aśvaghoṣa 阿那菩提 (馬鳴) / Ānàpútí (Mǎmíng)
Kapimala 迦毘摩羅 / Jiāpímóluó
Nāgārjuna 那伽閼剌樹那 (龍樹) / Nàqiéèlàshùnà (Lóngshù)
Āryadeva / Kānadeva 迦那提婆 / Jiānàtípó
Rāhulata 羅睺羅多 / Luóhóuluóduō
Sanghānandi 僧伽難提 / Sēngqiénántí
Sanghayaśas 僧伽舍多 / Sēngqiéshèduō
Kumārata 鳩摩羅多 / Jiūmóluóduō
Śayata / Jayata 闍夜多 / Shéyèduō
Vasubandhu 婆修盤頭 (世親) / Póxiūpántóu (Shìqīn)
Manorhita 摩拏羅 / Mónáluó
Haklenayaśas 鶴勒那 (鶴勒那夜奢) / Hèlènà (Hèlènàyèzhě)
Simhabodhi 師子菩提 / Shīzǐpútí
Vasiasita 婆舍斯多 / Póshèsīduō
Punyamitra 不如密多 / Bùrúmìduō
Prajñātāra 般若多羅 / Bōrěduōluó
Dharma / Bodhidharma Ta Mo / 菩提達磨 / Pútídámó

 

 

Dynasty Name Term Notes
Northern Wèi Dynasty

(北魏朝) 386-535

Bátuó 跋陀 495-520
Sēngchóu 僧稠 520-560
Northern Zhōu Dynasty
(北周朝) 557–581
574-580 Zhōu persecution of Buddhism

577 – Shaolin Temple destroyed and closed.

580 – Shaolin Temple opened and reconstructed.

Zīyún 资云 580?-?
Suí Dynasty
(隋朝) 581-618
610 610 – Shaolin monks protect local area from bandits.
618 618 – Shaolin Temple destroyed by bandits.
Táng Dynasty

(唐朝) 618-907

Zhìcāo 志操 621?-622 621 – Thirteen Shaolin monks help Lǐ Shìmín.
622-624 622 – Shaolin Temple closed by Táng officials.

624 – Shaolin Temple opened and reconstructed.

Zhìcāo 624-?
Yìjiǎng 义奖 ?-700-?
Huìjué 慧觉 ?-723-?
Wéijì 惟济 ?-770-?
Língcòu 灵凑 ?-791-?
842-846 Táng persecution of Buddhism

845 – Shaolin Temple destroyed and closed.

846 – Shaolin Temple opened and reconstructed.

Five Dynasties Ten Kingdoms

(五代十国) 907-960

Xíngjūn 行钧 880-925
Hóngtài 宏泰 925-954?
Later Zhōu Dynasty
(后周朝) 951-960
954-959 Later Zhōu persecution of Buddhism

954 – Shaolin Temple closed.

959 – Shaolin Temple opened.

Sòng Dynasty

(宋朝) 960-1279

Zhìhào 智浩 ?-1056
Zhèngwù Xiūyóng 证悟脩颙 1056-1060
Guǎngqìng 广庆 1084-1087
Bào’ēn 报恩 ?-1093-?
Qīngjiāng 清江 1101-1105
Zhìtōng 智通 ?-1111?
Jīn Dynasty
(金朝) 1115–1234
Fúdēng Huìchū 佛灯惠初 1111-1126
Shànyīng Fǎhé 善应法和 1140-1141
Zǔduān 祖端 1145-1160
Fǎhǎi 法海 1161-?
Wùjiàn 悟鉴 ?-1179-?
Pǔzhào 普照 1190-1194
Xìngchóng 兴崇 1204-1208
Xūmíng 虚明 1208-1212
Xīxī Hóngxiāng 西溪宏相 1212-1217?
Dōnglín Zhìlóng 东林志隆 1217-1223
Guǎngzhù 广铸 1224-1224
Mùān Xìngyīng 木庵性英 1225-1233
Rǔfēng Dérén 乳峰德仁 1239?-1248
Xuětíng Fúyù 雪庭福裕 1249-1255 Shaolin generational naming system begins here.
Fùān Yuánzhào 复庵园照 ?-1260-?
Zúān Huìsù 足庵慧肃 ?-1268-?
Yuánmíng 圆明 ?-1270-?
Yuán Dynasty

(元朝) 1271–1368

Língyǐn Wéntài 灵隐文泰 1273-1282?
Zhōnglín Zhìtài 中林智泰 1282-1290
Yuèyán Yǒngdá 月岩永达 1291-1294
Huányuán Fúyù 还原福遇 1295-1299
Yuèyán Yǒngdá 月岩永达 1300-1306
Gǔyán Pǔjiù 古岩普就 1313-1317
Yuèzhào Jiānggōng 月照江公 ?-1320-?
Júān Fǎzhào 菊庵法照 1322-1323
Chúnzhuō Wéncái 淳拙文才 1324-1329
Fènglín Ziguī 凤林子珪 1332-1335
Xīān Yìràng 息庵义让 1336-1340
Sǔnān Hóngyì 损庵洪益 1340
Wúwéi Fǎróng 无为法容 1341-1343
Chúnzhuō Wéncái 淳拙文才 1345-1352
Hǎiyìn 海印 ?-1354-? 1356 – Shaolin Temple destroyed.
Sōngxī Zidìng 嵩溪子定 1360-1363
Míng Dynasty
(明朝) 1368-1644
Sōngxī Zidìng 嵩溪子定 1368-1369
Sōngtíng Ziyán 松庭子严 1369-1382
Níngrán Zigǎi 凝然子改 1390-1392
Rénshān Yìgōng 仁山毅公 1393-1405
Zhúān Zirěn 竹庵子忍 ?-1422-?
Jùkōng Qìbīn 俱空契斌 1449-1452
Wúfāng Kěcóng 无方可从 1474-1483
Guīyuán Kěshùn 归源可顺 1498-1499
Zhuōān Xìngchéng 拙庵性成 1483-1487
Gǔshān Kěxiān 古山可仙 1488-1496
Jìngān Wùtà 静庵悟榻 1497-1501?
Gǔméi Zǔtíng 古梅祖庭 1501-1505
Yuèzhōu Wénzài 月舟文载 1510-1522
Zōnglín Yùtáng 宗琳玉堂 1537-1538
Zhúdōng Wùwàn 竺东悟万 1552-1557 1553-1555 Expeditions against pirates (Wōkòu 倭寇).
Xiǎoshān Zōngshū 小山宗书 1557-1566
Yǐnshān Xiángōng 隐山贤公 1566? -1574
Huànxiū Chángrùn 幻休常润 1574-1579
Wúyán Zhèngdào 无言正道 1592-1609
Ruìguāng 瑞光 ?-1622-?
Hánhuī Huìxǐ 寒灰慧喜 1624
Bǐàn Hǎikuān 彼岸海宽 1639-1646 Honorary
Qīng Dynasty
(清朝) 1644-1912
Bǐàn Hǎikuān 彼岸海宽 1646-1661 Official
Chúnbái Yǒngyù 纯白永玉 1661-? Honorary
Xīnyún Qīngníng 心云清宁 1742-1750? Honorary
Yuánjīn Língshān 圆今灵山 Dates Unclear Honorary
Xíngyuàn Zhìwú 行愿智吾 Dates Unclear Honorary
Qīngtài Yǐngshí 清泰颖石 Dates Unclear Honorary
Republic of China
(中華民國)
1912-1949
Hénglín 恒林 1908-1923 Honorary
Miàoxìng 妙兴 1923-1927 Honorary
Chúnpú 淳朴 1927-1929 Honorary

1928 – Shaolin Temple destroyed.

Zhēnxù 贞绪 1929-1949 Honorary
People’s Republic of China
(中华人民共和国)
1949-
Xíngzhèng 行正 1949-1986 Honorary
Xíngzhèng 行正 1986-1986 Official
Déchán 德禅 1986-1993 Honorary
Sùxǐ 素喜 1993-1998 Honorary
Sùyún 素云 1998-1999 Honorary
Yǒngxìn 永信 1999- Official

Depois do estabelecimento do Ch’an no monastério Shao-lin, originou-se a linhagem chinesa de monges patriarcas, ou ancestrais. A partir do sexto ancestral chinês, Hui-neng (638-713), o Ch’an absorveu muitos ensinamentos do Taoísmo e contou com vários monges sucessores (jap. hassu). Após Hui-neng, o Ch’an dividiu-se em duas correntes, uma do norte e outra do sul. A corrente do norte, que enfatizava a teoria da iluminação gradual, declinou rapidamente. Já a corrente do sul, que enfatizava a iluminação súbita, floresceu especialmente durante a dinastia T’ang (618-907) e no início da dinastia Song (960-1279). Esta doutrina tinha como o base o Lankavatara Sutra, texto central da filosofia idealista Yogachara. A corrente do sul deu origem a diversas linhagens chamadas de cinco casas e sete escolas (jap. goke-shichishû):

  1. Ts’ao-tung (jap. Sôtô) [I]
  2. Yung-men (jap. Unmon) [II]
  3. Fa-yen (jap. Hôgen) [III]
  4. Kuei-yang (jap. Igyô) [IV]
  5. Lin-chi (jap. Rinzai) [V]
    Lin-chi Yang-ch’i (jap. Rinzai Yôgi) [VI]
    Lin-chi Huang-lung (jap. Rinzai Ôryô) [VII]

Após a perseguição ao buddhismo iniciada pelo imperador Taoísta Wu-tsung em 845, o buddhismo chinês acabou declinando. Mais tarde, o Ch’an acabou se fundindo com a escola da Terra Pura (chin. Ching-t’u), formando a tradição predominante até hoje no buddhismo chinês. No Japão, a única escola Zen que continua mantendo elementos da escola Terra Pura é a linhagem Rinzai Ôbaku, fundada em 1654 com o monge Ingen Ryûki. Atualmente, a escola Ôbaku possui dez subdivisões e aproximadamente 18 mil templos e monastérios.

O Ch’an atingiu o seu auge com os monges Ma-tsu Tao-i (jap. Baso Dôitsu, 709-788), Pai-chang Huai-hai (jap. Hyakujô Ekai, 720-814), Te-shan Hsuan-chien (jap. Tokusan Senkan, 781-867), Tung-shan Liang-chieh (jap. 807-869), Chao-shou Ts’ung-shen (jap. Jôshû Jûshin, 778-897) e Lin-chi I-hsuan (jap. Rinzai Gigen, ?-866/7).

Na terceira geração da transmissão após Hui-neng, houve o mestre Zen Tao-i e seu discípulo, o mestre Zen Pai-chang. Estes dois homens corajosamente modificaram o sistema monástico prevalescente e transformaram as diretrizes que estavam em vigor desde que o buddhismo entrara na China. Assim eles criaram um sistema monástico verdadeiramente chinês. Na época, Pai-chang e seus discípulos foram injuriados por outros seguidores do buddhismo, acusados de terem quebrado os sabiam seus oponentes que foi por causa do sistema tramado por Pai-shang que o buddhismo conseguiu ter transmitido por tanto tempo depois disso. Este sistema de diretrizes foi transmitido através dos tempos até o presente e é seguido pelos templos e monastérios buddhistas, tanto na China quanto na exterior. Além disso, ele influenciou a sociedade chinesa posterior e seu sistema político, desempenhando grande papel em ambos.

(Nan Huai-Chin, Breve História do Budismo)

As linhagens que mais se destacaram na China foram a Lin-ch’i e a Ts’ao-tung. A primeira linhagem, Lin-ch’i, enfatiza o uso dos casos públicos (chin. kung-an, jap. kôan), histórias com expressões paradoxais que procuram apontar a natureza búddhica instantaneamente, “aqui e agora”. Outro método é o hua-t’ou, que procura estimular a dúvida como objeto de contemplação. Isto é feito através de perguntas que não possuem uma resposta lógica, por exemplo:

  • Qual é o som de uma só mão batendo palmas?
  • Como era meu rosto antes de eu nascer?
  • Um cachorro possui natureza búddhica?
  • Quem está meditando?
  • Quem está cantando o nome de Buddha?

Entre as principais coleções de kôans, estão a Passagem sem Portão (jap. Mumonkan), o Registro do Penhasco Azul (chin. Pi-yen-lu, jap. Hekiganroku), o Tsung-jung-lu (jap. Shôyôroku) e uma coleção coreana de Mil e Setecentos

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