A “Escola dos Letrados” (Rujia) teve sua origem nos ensinamentos de Confúcio e seus discípulos. Confúcio (também chamado Kongqiu ou Zhongni – datas tradicionais: -551 a -479) pretendeu regenerar, pelo ritual e pela moral, a sociedade de sua época. Ele ligou-se aos meios tradicionalistas dos escribas e analistas das cortes feudais. Sua origem era nobre, pois aparentava-se aos reis da dinastia Shang- Yin (-1557 a -1050). A doutrina que pregou dava grande importância aos exercícios de atitude ritual, bases de um aperfeiçoamento individual capaz de permitir o controle absoluto dos gestos, das ações e dos sentimentos. A moral confuciana é fruto de uma reflexão permanente sobre os homens. Ela é pratica e dinâmica e as qualidades de um homem realizado (a primeira delas, a virtude “ren”, que supõe uma disposição afetuosa em relação ao próximo) não se definem de modo absolutamente igual para todos, mas admitem uma grande maleabilidade, segundo o caso e o indivíduo. A sabedoria adquire-se pelo esforço de toda uma vida, através do governo dos mínimos pormenores da conduta, pela observação das regras de agir em sociedade (li), pelo respeito ao próximo – enfim, pela absoluta compreensão do princípio da reciprocidade. A virtude é um valor incorporado e não uma qualidade intrínseca do nascimento nobre, embora o desejo de Confúcio fosse o retorno a uma idealizada “Idade de Ouro” feudal dos primeiros reis Zhou, pessoas perfeitas, Wenwang e Wuwang. A tradição, entretanto, deveria ser redimida através do revivescimento e não pela estagnação. Confúcio nada escreveu. Seu ensinamento foi oral e imediato. O que dele temos de mais diretamente oriundo é uma coletânea de
máximas ou aforismos, registrados por escrito pelos discípulos após sua morte: o “Lunyu”, que poderíamos traduzir por “Conversações” ou “Analectos”. Em sua escola, Confúcio teria utilizado um certo número de obras antigas e tradicionais, que conhecemos hoje sob a denominação genérica de “Jing” (Clássicos ou Cânones), principalmente o “Yijing” (Yi Ching) (Clássico das Mutações), o “Shujing” (Clássico ou Anais da História), o “Shijing” (Clássico das Poesias ou “Livro das Odes”), “Chunqiu” (Anais do Estado de Lu, pátria de Confúcio), o “Cânon dos Ritos” (Li), do qual temos três coletâneas (Zhouli, Yili, Liji), todas posteriores a Confúcio, e o “Cânon da Música” (Yue), muito fragmentário em nossos dias. As recensões de todos esses “Clássicos” são de época tardia e serão tratadas em outro capítulo. Na escola de Confúcio dava-se importância a discursos de antigos reis, a hinos religiosos e a poemas da corte, a manuais de adivinhação e a anais dos remos.