As abordagens chinesas das origens do T’ai-chi ch’üan tendem a ser de dois tipos: centradas no mito ou no homem. A abordagem mítica ( yang ) aponta para a dádiva da arte por um sábio inspirado, enquanto que a abordagem humanista ( yin ) enfatiza o elaborado processo de evolução cultural. Mesmo os acadêmicos modernos diferem amplamente, tal como Ch’en Kung, que afirma: Seja Chang San-feng ou outro, quem inventou esta profunda e sutil arte marcial deve ter sido não um homem comum, mas um venerável Taoísta tomado pela mais alta sabedoria ou T’ang Hao: Registros históricos e investigações do ramo provam que o T’ai-chi ch’üan foi criado no final da dinastia Ming e no começo da Ch’ing, ou seja, cerca de 300 anos atrás. Foram combinados e desenvolvidos diversos estilos de luta, populares entre civis e militares da era Ming. A estes foram adicionados o “tao-yin” e técnicas respiratórias, absorvendo a filosofia clássica, a teoria “yin-yang” e o conhecimento medicinal sobre a circulação do sangue e do “chi”, para formar uma arte marcial que treina tanto o aspecto externo quanto o interno. A aproximação mítica é sempre focalizada na figura de Chang San-feng, enquanto que a humanista traça linhas de transmissão tanto de técnicas de desenvolvimento interior do período T’ang, quanto do general Ch’en Wang-t’ing, da era Ming, e seus descendentes. Outros simplesmente enxertam alguma versão histórica numa legendária, muito à maneira da historiografia tradicional chinesa. Há também aqueles que, à semelhança dos teólogos medievais que usavam Aristóteles para provar a existência de Deus, empregam métodos modernos para estabelecer a historicidade do Imortal Chang. Permitam-me acrescentar algumas observações às dos estudantes da história do T’ai-chi:
Primeiro, abandone toda a esperança todo aquele que procura por exatidão. Os poucos documentos escritos existentes, apesar de encantadores, são excessivamente contraditórios. Não há um único detalhe de registros e compilações que não seja objeto de um amargo debate acadêmico. Não há duas genealogias congruentes e há pelo menos três definições completamente diferentes mesmo de termos básicos como “sistema interno” ( nei-chia ).