A alquimia como técnica espiritual também é atestada na Índia. Já estudamos em outro livro as suas numerosas afinidades com o Hatha-Yoga e o tantrismo,[1] motivo pelo qual só lembraremos aqui as mais importantes. A primeira delas é a tradição “popular”, registrada igualmente por viajantes árabes e europeus, e que se refere aos iogues – alquimistas: estes conseguiriam, por meio da ritmização respiratória (prânâyâma) e da utilização de remédios vegetais e minerais, prolongar indefinidamente a sua juventude e também transformar os metais comuns em ouro. Um grande número de lendas refere-se aos milagres relacionados com a Ioga e com o faquirismo dos alquimistas: são capazes de voar, de tornar-se invisíveis etc. (ver Le Yoga, p. 276; cf. a Nota L). Observemos, de passagem, que os “milagres” dos alquimistas são os “poderes” iogas por excelência (siddhi).
A simbiose entre a Ioga tântrica e a alquimia é também atestada pela tradição culta a que se referem os textos sânscritos e vernáculos. Nâgârjuna, o famoso filósofo mâdhyamaka, é tido como autor de numerosos tratados alquímicos; entre os siddhi obtidos pelos iogues figura a transmutação dos metais em ouro; os mais célebres siddha tântricos (Capari, Kamari, Vyali etc.) são ao mesmo tempo renomados alquimistas; a somarasa, técnica específica da escola dos Nâtha Siddha, apresenta um significado alquímico; finalmente, no seu Sarva-darçana-samgraha, Madhava demonstra que a alquimia (raseçvara darçana, lit. “a ciência do mercúrio”) é um ramo do Hatha-Yoga: “O sistema mercurial (rasâyana) não deve ser considerado um simples elogio do metal, porque é um meio imediato – pela conservação do corpo – de alcançar o supremo, a libertação.” E o tratado alquímico Rasasiddhanta, citado por Madhava, afirma: “A libertação da alma vital (jiva) encontra-se exposta no sistema mercurial”